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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Titebilidade

Alunos fumam maconha no campus. Polícia mobiliza um batalhão inteiro, lança bombas de gás lacrimogênio e o escambau  para dar um “teje preso” nos maconheiros. Alunos formam uma horda pretensamente revolucionária para defender os companheiros, sobem nas viaturas, invadem o prédio da administração e escondem o rosto com camiseta, lembrando cena de rebelião de presídio. Mais uma vez. Um deles, mais empolgado, queima a bandeira do Brasil. Mas a polícia só quer o império da lei; o cacete é inevitável, alegam. Sim, estão preparados para lidar com a situação. Preparadíssimos! Da mesma forma que na retirada dos camelôs da feirinha da madrugada. Quem manda ser ilegal e, sem direito ao contraditório, posar de comerciante de produtos piratas e roubados?
Ex-presidente descobre estar doente. Na internet, pululam mensagens de apoio juntamente a destemperos e manifestações desumanas (inconfessáveis, não fosse o anonimato) pró-tumor, não pró-pessoa. “Devia ser internado pelo SUS!”; se é contra o Lula (até câncer?), é legal. Na TV, repórter é agredida por grupelho que, pela enésima vez (sempre com surpresa e violência), atrapalha o link ao vivo. Alguns acham legal; tudo que ferra a Globo é legal. Além do mais, humor agora é assim, punk, à moda Rafinha. Para outros: “cadê a polícia que não prende esses caras?”. Ah, tá na USP, tá no Bráz... Só não está na proteção da juíza, assassinada. Ou na dos gays que andam pela Paulista. Ou na do deputado carioca, forçado a se exilar, em pleno século XXI, para que não seja morto também. Por bandido ou, quem sabe, pela própria polícia.
E tomem gritos, xingamentos, acusações, bravatas. De um lado: “Tudo vândalo, terrorista, esquerdista de merda, revolucionários de meia pataca, lixo da história, corruptos todos: PT, PC do B, Venezuela, diretório acadêmico, presidenta (faxineira é o catso!), ex-presidente metalúrgico vagabundo!”. A resposta: “Elite de merda, direita de bosta, exploradores dos pobres, parasitas do dinheiro público, indignemo-nos contra todos esses corruptos: PSDB, DEM, EUA, reitor, banqueiros, mídia, governador mauricinho, ex-presidente neoliberal entreguista (virou maconheiro também?)!”.
Quer saber, concordo com o Tite. “Está faltando namorar!”. Eis o melhor remédio para os dias que correm. Levar o jogo da vida com mais titebilidade, mas sempre em busca da vitória. Falta pensar nas coisas com mais moderação, menos fígado. Para torcer apaixonadamente, serve o Timão.
Por João Quirino

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Novos desafios

Penso que o governo FHC teve o mérito de aproveitar a conjuntura internacional favorável (aumento da liquidez internacional e oposição fragilizada) e de não repetir a receita do congelamento para debelar a inflação. Também promoveu mudanças institucionais importantes, como a Lei de Responsabilidade Fiscal. Em compensação, nos prendeu a uma cilada de aumento de tributos (cujo problema maior é a má distribuição do ônus e não a carga tributária em si) e juros escorchantes para o financiamento das contas públicas; cilada a que estamos presos até hoje, em que pese a estratégia da presidente Dilma em mudar essa sina com diminuições sistemáticas da selic.
O governo Lula teve o mérito de não cair no blá-blá-blá neoliberal (FHC propunha superar o modelo varguista pelo modelo orientado ao mercado... leia-se: a reboque da globalização financeira sob as rédeas das bolsas e especulações sem regulação) e investir fortemente em políticas sociais. Também foi mérito de Lula não ceder à ALCA, na época entendida como inescapável (lembram-se?), e desenvolver a presença soberana do Brasil no mundo. Tomou uma economia estabilizada e a transformou em uma economia pujante com redistribuição de renda (eis algo que os críticos anti-petistas não entendem: aqui não se vê indignados não porque somos "passivos", mas porque encontramos a saída não neoliberal que norte-americanos e europeus procuram... que o digam os governos latino-americanos que se espelham no Brasil e usam Lula como referência eleitoral).
Porém, superada a inflação, colocados nos trilhos do desenvolvimento com redistribuição de renda, precisamos virar a página e enfrentar com mais firmeza novos desafios: superar definitivamente a péssima qualidade da saúde e da educação, passando pelo combate ferrenho do desperdício de dinheiro público, especialmente com corrupção. O modelo de coalizões amplas, demasiado amplas, que vigeram durante os anos FHC e Lula precisa mudar. Outra base de governabilidade há de ser possível, e Dilma, acredito, está a buscá-la.
Por João Quirino

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Tragédia argentina



Das dores que sofre um homem na vida, são particularmente intensas aquelas causadas pelo time do coração. Quem não sofreu uma derrota daquelas em que a gente passa dias e dias sem se conformar? O que dizer, então, de uma desclassificação. Ou da derrota em final de campeonato!

Porém, dessas dores ludopédicas, nada se compara à de um rebaixamento. Falo com propriedade, já que a sofri há poucos anos. Em 2007, para ser mais preciso, quando “meu” Corinthians passou pelo vexame do descenso no certame nacional. Assisti a toda aquela fatídica partida contra o Grêmio sentado no chão da sala, com a televisão sem volume. Na verdade, não assistia ao jogo, mas rezava. Ou, talvez, observava aquela movimentação de jogadores como quem vê um moribundo na cama, à beira da morte, implorando para que o quadro crítico seja revertido. Em vão...

Quando o árbitro apita o final da partida, também encerra a esperança e abala profundamente o orgulho atrelado àquela camisa e àquele escudo. Emerge ali uma sensação amarga de incredulidade, de impotência, de indignidade, de vergonha e, ao mesmo tempo, de raiva. Os gritos e xingamentos durante a partida dão lugar às lágrimas e, depois, à revolta. Não são incomuns as reações violentas como as observadas no Couto Pereira, em Curitiba, em 2009, ou como as que acometeram Buenos Aires, domingo passado, após a queda do tradicionalíssimo River Plate, equipe da preferência de 18 milhões de argentinos e dono de 33 canecos nacionais, 2 Libertadores e um mundial interclubes.

Apesar das aparências, em que pese a frieza do juízo gerado pelas imagens incontestes, toda aquela revolta quiçá não se deva a simples vândalos, como vociferam os racionais comentaristas de ocasião, mas a seres humanos, demasiado humanos. Afinal, futebol, acima de tudo, é paixão; para os argentinos, em especial, alguns níveis acima do padrão médio de passionalidade, é mais uma fonte de tragédia!

Óbvio, não justifico a violência e os atos de vandalismo. Sim, têm que ser punidos os responsáveis, doa a quem doer, sem a desculpa de que agiram sob “forte emoção”. Por outro lado, não deixo de tentar entender o fenômeno: o futebol não é mero jogo, mas paixão; não se trata de um confronto de “peças” movidas sob a lógica de planos táticos, mas de homens que representam uma camisa e uma história, inspiradoras de orgulho em milhões de fiéis apaixonados.

Aos hermanos torcedores do grande clube de Nuñez, vai aqui uma dica de quem já sofreu essa experiência e sua peculiar dor: ao fim e ao cabo, sejam otimistas. Sim, até porque há razões para sê-lo. Nada melhor que o dia seguinte e a busca por sair do fundo do poço para que se reavive o brio e o amor ao time. O orgulho ferido é uma grande força para que se façam revoluções. E o rebaixamento é uma clara evidência de que certa revolução clubística é necessária. Prova disso é que, via de regra, os clubes que passaram por semelhante vexame, lotaram seus estádios no decorrer na campanha na segundona, viram seus torcedores renovarem seu amor ao escudo – aliás, não há momento mais apropriado para que o torcedor queira mostrar sua paixão pelo clube do que na luta pela volta à primeira divisão –, e conseguiram o ascenso logo em seguida. Que o digam, além do Timão, outros grandes brasileiros como o Atlético Mineiro, o Coritiba, o Grêmio, o Palmeiras, o Botafogo, o Bahia, o Fluminense.

Se isso ocorre na terra de Garrincha e Pelé, também deve acontecer no país de Messi e Maradona.

Por João Quirino

domingo, 26 de junho de 2011

Dois meninos


O ano: 1950. O menino brincava enquanto o pai ouvia o rádio com máxima atenção. O pai, jogador de futebol profissional, dissera ao garoto que aquela era a mais importante partida da história do país. Uma final de Copa do Mundo disputada no Brasil, em que a seleção nacional, com seu glorioso uniforme branco, disputaria, favorita, a taça contra a celeste uruguaia. O menino, vendo a seriedade no semblante do pai, compreendia, na sua forma de criança, o quão relevante era aquele jogo de bola para os adultos; para seu pai, em especial. Apesar de continuar brincando, não deixava de atentar para as reações e humores do velho por um segundo sequer. Assim, sorriu quando o pai comemorou o gol da seleção, ficou apreensivo quando ocorreu o empate e arrasado quando um tal de Ghiggia marcou o tento da virada. Só não chorou como o pai, que foi às lágrimas quando o jogo acabou e o Brasil, apesar do favoritismo, de ter Zizinho e de jogar em casa, perdeu um Mundial que todos davam como ganho. Com um sorriso envergonhado, o menino se aproximou do pai e disse, amoroso:

- Não liga não, pai. Quando eu crescer, ganho um desse pro senhor.

Quando o Uruguai bateu o Brasil naquela final de Copa, o tal menino tinha apenas nove anos de idade. Oito anos depois, aos dezessete, participou da campanha brasileira na Suécia, quando nossa seleção, jogando ora de amarelo, ora de azul, conquistou seu primeiro título mundial. A partir de então, o Brasil tornou-se o maior vencedor de mundiais e o status de país do futebol; o tal menino tornou-se o rei desse esporte. E o Santos, o time que o revelou, até hoje é conhecido como o mais completo e vencedor clube enquanto Pelé desfilou seu imenso talento pelos gramados do país e do mundo:

O ano: 2003. O mesmo Santos, pela primeira vez após a despedida do seu maior astro, disputava uma final de Libertadores. Com o rei, conquistara dois títulos; o primeiro contra o Boca Juniors, da Argentina, e o segundo, contra o Peñarol, do Uruguai. Mas isso ocorrera há quase quarenta anos. Desta vez, o adversário era novamente o Boca, o mesmo da primeira conquista. Outros meninos brilhantes haviam surgido na Vila famosa, a confiança era total. Não obstante, os argentinos tinham vencido o primeiro jogo, lá, por dois a zero. Nada que não pudesse ser revertido na finalíssima, em casa. Entre tantos torcedores, um homem assistia à partida pela televisão, enquanto o filho de onze anos brincava ao lado. Sim, brincava, mas não deixava de observar a peleja, nem de reparar nas reações e humores do pai. Quando a partida acabou, percebeu que a derrota por três a um para os argentinos, com Robinho e tudo, arrancara, além de alguns xingamentos, uma lágrima do pai. E, docemente, tentou consolá-lo:

- Não liga não, pai. Quando eu crescer, ganho um desse pro senhor.

O pai sorriu, apesar da dor da derrota. Notara a semelhança com a história do outro menino. Só não podia imaginar que o consolo do filho não era mera coincidência, mas o destino novamente escrito pela boca e pelo talento de outro menino, o seu Junior. Oito anos depois, o Santos disputa novamente uma final de Libertadores, contra o Peñarol – sim, o mesmo do segundo título da América –, e ergue a taça pela terceira vez. Melhor: pela primeira, após a despedida do seu menino-rei dos gramados. Agora, o Junior é o novo menino-rei.

Eis as histórias de dois meninos que reverteram a história. Que, de certa forma, nos redimiram. De uma final melancólica, de derrota, reescreveram outra, vitoriosa, campeã. A história do menino Pelé ocorreu de verdade. Já a do menino Neymar... bem, nada há que prove a existência dos fatos relatados, pelo menos até a vitória contra os uruguaios, absolutamente verdadeira. E é isso o que importa: é verdade que esses meninos cresceram, viraram reis e trouxeram – e continuam trazendo –, com seu talento inigualável de tratar a bola, tantas alegrias e taças. E também é verdade que esses meninos nasceram e nascerão de tempos em tempos neste país. Meninos de favelas, de campinhos de várzea, de escolinhas. Meninos da Vila. Meninos do Brasil.

Por João Quirino

terça-feira, 17 de maio de 2011

O certo e o errado

Acabo de assistir, no Bom Dia Brasil, da Globo, matéria sobre livro didático do MEC que está causando polêmica. Segundo a autora do livro, não há que se falar em “certo” ou “errado” no uso da língua, mas em adequação ou inadequação. Assim, o “errado” pode ser adequado, dependendo da circunstância. Discursando contra o livro surgiram Alexandre Garcia e o professor Sérgio Nogueira; a favor, ninguém. Não sei quanto ao “certo” e o “errado” no uso da língua, mas no jornalismo, aprendi que é certo a parte contrária também ter o direito de se pronunciar.

Por João Quirino

terça-feira, 5 de abril de 2011

Racismo, não! Homofobia, pode?

Há poucos dias, o lateral Roberto Carlos, em partida do seu time, o Anzhi Makhachkala, contra o Zenit, ambos da Rússia, foi alvo de manifestação racista ao entrar em campo. Um torcedor aproximou-se para lhe entregar uma banana. Na partida entre Brasil e Escócia, uma banana foi jogada no gramado, causando enorme mal-estar por, num primeiro momento, suspeitar-se tratar de ato racista contra Neymar.

Os dois episódios, pela associação com o racismo, causaram asco na maioria das pessoas. “Como pode acontecer algo assim em pleno século XXI?”, indagam jornalistas, jogadores, torcedores e cidadãos em geral.

No entanto, a mesma repulsa não ocorre em relação à homofobia. Como se esta forma de preconceito não tivesse alcançado, digamos, o status de atitude moralmente reprovável ou mesmo criminosa que já alcançaram o machismo e o racismo, por exemplo.

Prova disso foi a manifestação da torcida do Cruzeiro, em partida pelas semifinais da Superliga de vôlei masculino, contra o jogador Michael dos Santos, do Vôlei Futuro, de Araçatuba (ver matéria: http://globoesporte.globo.com/volei/noticia/2011/04/volei-futuro-reclama-de-homofobia-e-tumulto-em-minas-cruzeiro-rebate.html ).


É bom que se diga: a repulsa causada pelo racismo e a quase normalidade com que se dá a homofobia não é um estranho contraste na cabeça de poucos, mas cultivado pela maioria das pessoas na nossa sociedade. Por um lado, há que se comemorar o fato de negros, apesar dos pesares, terem avançado nas suas conquistas. Reforço: apesar dos pesares, ou seja, apesar de estarmos muito longe de considerar superado o problema do racismo no Brasil. Por outro lado, é premente que sejam tomadas atitudes enérgicas para que atos de hostilidade contra homossexuais deixem de ser entendidos como fruto de um “preconceito aceitável” ou, pior, como reação legítima de resguardo da família, dos bons costumes ou qualquer valor tradicional concebido de modo bitolado, fechado, cujos defensores mais radicais se veem como guardiães da palavra de Deus, da Moral ou o do que os valha.

Por falar nisso, o deputado Jair Bolsonaro, ontem, no programa CQC, da Band, confirmou que fora mal interpretado na entrevista de semana passada. Tentando externar toda sua raiva contra os homossexuais, foi, coitado, tomado por racista. Quanta injustiça! A propósito, parabéns a Marcelo Tas, que, expondo a si próprio e à filha, que é gay, deu verdadeira prova de coragem ao tornar público seu orgulho por ela. Quem sabe, um dia esse orgulho possa superar o ódio e incapacidade de convivência ainda vistos em campos, quadras, parlamentos e alhures. Chegou a hora de dar uma banana a todas as formas de preconceito, inclusive a homofobia.

Por João Quirino

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Favorito, sim!

Santos 0x1 Palmeiras


No início do Paulistão, o Palmeiras era, talvez, o representante dos quatro grandes no qual a maioria dos comentaristas esportivos menos botava fé. Apesar do comando de Felipão, o Verdão era – e continua sendo – o grande com elenco mais limitado tecnicamente. Ainda mais se considerarmos que Valdívia, a grande contratação do clube, passa por longo período afastado dos gramados por lesão. Bem como o eterno ídolo Marcos.

A rigor, o Palmeiras tem um grande jogador – Kleber, o gladiador – e um veterano, digamos, que impõe respeito – Marcos Assunção. No mais, trata-se de um elenco de jogadores regulares. Porém, pelo que vêm mostrando no campeonato, esses mesmos jogadores compensam a menor qualidade técnica com rigorosa disciplina tática. Quiçá, dos grandes, o aquele com padrão de jogo mais bem definido. O que faz desse time, com todos os méritos, o líder do campeonato e tão favorito ao título quantos os demais grandes.

Na partida de ontem, em que, ironicamente, o Peixe mostrou dificuldades em jogar embaixo d’água, o escrete de Felipão soube impor sua vigorosa marcação sobre Elano, Ganso, Neymar e companhia. Aliás, afora Neymar, que mostrou bastante empenho – mas longe do brilho costumeiro –, as demais estrelas santistas estiveram irreconhecíveis. Principalmente Ganso, que errou passes curtos e teve a bola roubada algumas vezes. No entanto, a má atuação do time da Vila não desvaloriza em nada a eficiência – ou o equilíbrio, termo da moda – demonstrada pelo Palmeiras. Pelo contrário, foi o Palmeiras que soube se impor e determinar seu ritmo ao adversário.

Cicinho foi implacável na marcação de Neymar. Rivaldo mostrou a aplicação de sempre, marcando e arriscando perigosas subidas ao ataque. Márcio Araújo, Danilo e Thiago Heleno compuseram um paredão quase intransponível à frente de Deola. Patrik mostrou habilidade e ótima visão de jogo ao deixar Kleber  na cara de Rafael para fazer o gol da vitória.

O gladiador – o Rooney brasileiro, se me permitem a comparação –comprovou a boa fase, movimentando-se constantemente, buscando a bola no meio e partindo para o ataque, na base da velocidade e da força.

Seu companheiro de ataque, Adriano, iniciou a partida demonstrando excessivo nervosismo, assim com Neymar, e deu lugar a Luan. O substituto entrou muito bem. Arrisco até a dizer que a entrada de Luan foi o divisor de águas da partida, dando ao Palmeiras maior poder de articulação e ataque, além da eficiência defensiva, seu ponto mais forte.

***

São Paulo 1x0 Mirassol

O São Paulo passou por maus bocados contra o bom Mirassol, na Arena Barueri. Sofreu investidas perigosas e até tomou bola na trave. Em um jogo bastante equilibrado, foi salvo pela genialidade de Lucas, autor do gol de placa que garantiu os três pontos do Tricolor. Será difícil a Mano Menezes não colocar o garoto no time titular da seleção.

Botafogo 0x0 Corinthians

Já o Corinthians fez partida sofrível contra o fraco Botafogo, em Ribeirão Preto. O pobre Liedson passou os 90 minutos de jogo à procura de alguém que lhe servisse a bola em condições de marcar. Em vão. O 0 a 0 foi o resultado mais justo, uma vez que as regras do jogo não preveem a possibilidade de placar negativo.

Por João Quirino

É preciso aproveitar o “momento Bolsonaro”

Para muitos, Jair Bolsonaro é polêmico. Para outros, como o petista Cândido Vacarezza, Bolsonaro é estúpido. Para alguns, o parlamentar é preconceituoso, mas há também – e são muitos – os que o consideram “apenas” sincero em suas convicções.

Seja lá o perfil que se atribua a Bolsonaro, há uma série de temas relevantes que vieram à tona com sua nova “performance”, na famosa entrevista ao CQC. Assim como uma série de medidas que podem ser tomadas, incentivadas por este “momento Bolsonaro”. São elas:


Por João Quirino

quinta-feira, 31 de março de 2011

Ah, é Pernambuco!


Santa Cruz 1x0 São Paulo
Quem esperava uma apresentação de gala do São Paulo, após o jogo histórico de domingo, contra o Corinthians, foi surpreendido pela força pernambucana que tomou o Mundão do Arruda, em Recife. Apesar da superioridade técnica dos jogadores são-paulinos, o ex-lateral do time paulista e hoje técnico do Santa Cruz, Zé Teodoro, foi brilhante na armação do seu escrete.
O Santa, que vem muito bem no campeonato estadual, simplesmente não deixou o Tricolor atacar. Lucas, quiçá pela primeira vez depois de ser taxado como grande “promessa” do futebol brasileiro, sofreu marcação à altura de seu novo status. Everton Sena foi um carrapato em Lucas durante os 90 minutos de jogo (fora os acréscimos). Ótima leitura de Zé Teodoro, que, ao perceber o relevante papel de Lucas no ataque são-paulino, anulando-o, prejudicando sobremaneira as investidas do adversário. O trabalho defensivo foi completado por uma zaga compacta, um verdadeiro muro contra o qual Dagoberto e Fernandinho pelejaram para transpor, em vão.
Rivaldo, que foi vaiado e aplaudido pela torcida do seu ex-clube, apesar de não ter jogado mal, também não foi decisivo. Carpegiani – mesmo depois de ter um jogador a mais, após expulsão de Leandro Souza – não abdicou da formação com três zagueiros e dois volantes.
Do lado do Santa, destaque para o meia-atacante Gilberto. Habilidoso e criativo, Gilberto importunou a zaga tricolor várias vezes, dando bons passes ou investindo ele próprio contra o gol de Rogério Ceni.
O Santa Cruz foi superior e mereceu o resultado. Apesar do gol da vitória ter sido contra, oriundo de uma infelicidade de Rodrigo Souto que, ao tentar jogar a bola para escanteio, empurrou-a para as próprias redes.
Na partida de volta, o time pernambucano pega o São Paulo podendo empatar ou até perder por um gol de diferença, desde que também marque. Outra tarefa duríssima para a equipe do Morumbi.
Na partida de ontem, destaque também para a torcida do Santa Cruz, que incentivou o time do começo ao fim. Pulando e gritando “ah, é Pernambuco!”, a torcida foi um espetáculo à parte. Fez uma merecida festa pela atuação do Santa, enfim, em boa fase, após longo período de declínio.
***
Cruzeiro e Inter bem na Libertadores
Pela Libertadores, Cruzeiro e Internacional asseguraram a liderança – no caso do time mineiro, também a classificação antecipada para a segunda fase – dos respectivos grupos.
O Inter bateu o boliviano Jorge Wilstermann, no Beira Rio, por 3 a 0. Já o Cruzeiro, passou pelo paraguaio Guaraní, por 2 a 0, em Assunção.
Por João Quirino

quinta-feira, 17 de março de 2011

Vão-se os cinemas de rua, vai-se uma época

A poucos dias da visita de Obama ao Rio de Janeiro, em compasso de espera pelo discurso a ser feito na Cinelândia, a cidade de São Paulo vê mais um de seus cinemas de rua, o Belas Artes, enfim, fechar as portas. Se a Cinelândia carioca tem esse nome porque no passado, diferentemente de hoje, abrigava várias salas de exibição, a mesma sina parece se impor à região da Avenida Paulista.
Quando vim para Sampa, no longínquo ano de 1991, fiquei orgulhoso por saber que ao longo dos quase três quilômetros de sua principal avenida havia mais cinemas que em Porto Alegre inteira. Desde então, tornei-me habitué de alguns deles. O Belas Artes, o Gemini, o do Conjunto Nacional, que já teve vários nomes – Bombril, Livraria Cultura, não sei mais o quê –, assim como o da Gazeta, hoje Reserva Cultural. Além deles, claro, têm os dos shoppings: os do Pátio Paulista, na ponta do Paraíso, e o Bristol, no Center 3, na ponta da Consolação. Para ficar só na famosa avenida, sem falar dos cinemas da rua Augusta e outros.
Há pouco tempo fechou o Gemini – pela enésima vez – e hoje, o Belas Artes. Ocorre no “centro novo” o mesmo já observado no “centro velho” de São Paulo. Os locais onde antes eram exibidas as preciosidades da sétima arte, agora se destinam ao consumo de bugigangas e aos cultos religiosos. Não dá para negar certo desconforto nostálgico, uma sensação ruim, ao constatar que hábitos caros a muitos da minha geração não mais serão possíveis. Além da frustração por um processo econômico e social que, apesar dos protestos, não é simples de ser contido, muito menos revertido. Aliás, será que deve ser contido e revertido? Há culpados, inimigos a serem combatidos?
A lembrança foi longe e retornei à minha terra natal, Birigui, onde eu ia às matinês do Cine Pérola todos os domingos, rigorosamente. Lembrei-me das filas imensas, virando a esquina, quando passava filme do Mazzaropi. Lembrei-me até de quando assisti “Os Trapalhões no Planeta dos Macacos”, minha primeiríssima ida a uma sala de cinema, morrendo de medo por achar que gorilas sairiam de trás da tela para nos atacar. Mas, terrível mesmo foi ver o prédio que abrigava o Cine Pérola ir abaixo para dar lugar ao estacionamento de um banco. Também me lembrei da luta inglória de alguns cidadãos biriguienses para tombar o prédio que abrigou o primeiro cinema da cidade, o qual não conheci, e que hoje é uma loja de motos.
Pior do que testemunhar a extinção dos cinemas de rua é perceber que não mais haverá um espaço de cultura, entretenimento e sociabilidade criado em seu redor. Acaba-se a caminhada tranqüila pela Avenida Paulista, batendo papo com a namorada ou com amigos, com destino a um boteco próximo para comentários e críticas, ao sabor de cerveja e petisco, sobre o filme que se acabara de assistir. Assim acontece no Rio, em Sampa e até em Birigui.
Os shoppings centers, com seu universo consumista, sua seletividade em prol de “gente bonita” e seus Cinemarks da vida, serão nossa única opção.  
Por João Quirino